quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O Silêncio

O silêncio é essencial. Nós precisamos de silêncio assim como precisamos de ar, da mesma maneira que as plantas precisam de luz. Se nossas mentes estão repletas de palavras e pensamentos, não há espaço para nós.

Do livro: Silêncio: O poder da calma em um mundo barulhento, página 20 - Thich Nhat Hanh

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Tigelas

Certa vez um discípulo perguntou ao mestre Joshu:
— Mestre, por favor, o que é o despertar?
Joshu respondeu:
— Você já terminou de comer?
— Sim, mestre, terminei.
— Então, vá lavar suas tigelas!



Estar presente e atento às atividades do momento. Ser capaz de responder com adequação e assertividade às necessidades verdadeiras. Nada além disso. Despertar é acordar do sonho de um eu separado. É servir com alegria e força. É não escolher nem afastar. Ao surgir uma ação, age. É não se considerar mais importante, mais inteligente, melhor do que a tarefa para a qual é solicitado. É estar disposto a fazer o que tem de ser feito da melhor maneira possível e tratando com respeito tudo o que existe.
Quando eu era jovem praticante no Zen Center de Los Angeles, com pouco mais de 30 anos de idade, fui servir ao mestre como atendente pessoal de sua casa e sua família. O mestre era casado e tinha, na época, uma filha pequena de 5 anos e um bebê de poucos meses. Cabia a mim preparar a alimentação do mestre, limpar a parte de baixo da casa, ajudar com as crianças. Também regava o jardim, guiava o carro sempre que o mestre precisasse sair. Estava em todas as sessões de meditação, de liturgias. Escrevia cartas, chamava pessoas,servia chá. Era muito ocupada.
Depois do almoço, o mestre dormia por meia hora aproximadamente. Era o tempo que eu tinha para costurar meus hábitos monásticos.
Certo dia, ao limpar a mesa do escritório do mestre, encontrei um texto em inglês que foi muito importante para mim. O título era: “Água é vida”. Apenas uma página curta, do então reitor da Universidade de Komazawa, em Tóquio, o professor doutor Yasuaki Nara. Essa universidade é um grande centro de estudos e pesquisas budistas, e o reitor nessa época era um grande amigo de meu mestre. Ele, com muita simplicidade e clareza, escrevia que água é vida e por isso precisa ser respeitada. Isso foi no final dos anos 1970.
Eu nunca havia refletido sobre a água antes. A partir da leitura daquele texto curto e singelo, passei a fechar a torneira ao escovar os dentes, a ter muito cuidado ao trocar a água dos inúmeros vasos de flores e a ser mais econômica em meus banhos. Toda a minha prática de vida se transformou.
E entendi, com muita clareza, a frase de mestre Joshu sobre o despertar:
“Terminou de comer? Vá lavar as tigelas”.

Monja Coen